quinta-feira, 3 de março de 2011

Aprendiz do Mar

Quando a tarde deitar no mar
as últimas cores do sol
sozinho entre estrelas
mais antigas que a vida
vou deixar meu peito
guardar a canção das ondas
como as pequenas conchas
que têm em si o mar inteiro.

Tempestade

Mas seu coração não morrerá
nem que o tempo se desfaça
Somos crianças na chuva
com arco-íris nos lábios
sorrindo pro infinito...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Poema Inacabavel

...pernas em erupção de rosas flamejantes
beijos coagulando saliva melodiosa
gemidos adormecendo no coração das nuvens
seios como luzes irradiando na noite
aromas irreais no esconderijo da pérola...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Habitar

O pássaro vai e vai
até desaparecer nas nuvens.

Observo bem a geometria das casas
grandes blocos abrigando famílias
Porta adentro, um universo inteiro
Quarto fechado - refúgio de amor
Numa sala de lágrimas, três fotografias.

Além da soleira todas as ruas se encontram
permeando a cidade.
De cidade em cidade: países, e o mundo.

Mas há os que vagam
só corpo recebendo a chuva.

Onde é a casa das nuvens? Dos riachos
fendendo a terra? Dos relampeios de música?
Por aí, por aí - vem dizer meu peito!
E quem é dono dos lotes? Das alamedas?
Campinas? Todos são, todos são - diz
meu coração! Mas quanto lutam os homens
pra inscreverem seus nomes em minas
vales e montes, pra se espalhar sobre
as matas como se fossem gigantes, grandes
porcos obesos necessitados de espaço!
Enquanto os demais, os de paz e palavra
sonham em vão com quintais
com jardinzinhos, varandas e o arvoredo
tranquilo para amarrar um balanço!

Vem morar comigo, aqui nos meus braços?
Mas ela queria alicerces!

Aceito o frio e a fumaça dos ônibus
Meus versos fazem êco no horizonte
cansei de escrever nas paredes de sombra

As pombas é que tem direito a esse lugar
repousando na varanda das árvores
aqui e ali
onde ninguém é proibido.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Página de Luz e Sombra




















Ah, não se engane, porque os olhos se acostumam com o escuro e logo enxergam cores, sim, na sombra. O silêncio é um envelope de envelopes, presta atenção, que ao fundo, muitos sons se movem, lúdicos. Percebe que a solidão tem muitas portas, por onde os gatos entram vagarosos e vem se reunir aos pés da lua, mas não se assuste, a morada dos dias tem janelas de vidro que dão na rua dos sonhos. E a lua lhe pareceu distante, era o doido diamante no fundo do mar. Agora indagas, com ela nos braços, emergiste das ondas ou mergulhei no espaço? Cuidado, o espaço fez-se manta de retalhos sem costura. Olha como se aproximam os montes de farinha da alameda dos riachos, a terra foi dobrada em desalinho, geografia é uma caneta sobre mapas. Não preocupavas do amor, vinhas vazio, mas lembra-te da concha na baía? Que canção infinita na espiral vadia? Não, não chore, é só seu coração que também canta, por mais que não conheça esse lamento. No mar nunca adormece a maresia. Então entende, o escuro tem a benção do impossivel, vê como dois olhos condensam na treva, sente os cabelos delirantes lhe ferindo os dedos, o perigo iminente no traço reticente da cintura, mulheres atravessam véus de tempo e vem sentar na cama dos perdidos. Elas sempre foram pássaro, sabias? Bem mais do que a imagem, a magia! Maquínas tua mente, se prende! Te construíram uma cidade dourada sobre alicerces fantasma, cidade fadada ao abismo, pra onde vão os filosófos sem esse abrigo de séculos? Além, o pensamento rasteja, eleva e transborda, impregnado de vida e nunca percebês-te que escrevias tantos livros. Nesse jardim mal cuidado, ninguém cortou arestas da hera nos telhados, vês como o tempo ganha dimensão selvagem e vês a ti próprio animal na relva, bastou teus semelhantes não te verem, bastou não virem ao teu encontro, que tanto medo do escuro? Que tanto medo do mundo? Que indiferença com a lua! Enquanto termina o cigarro, no ato final da brasa, estende teus olhos ao céu, escuta o comboio rugindo numa distância impensável, queres mordê-la ganindo corpo alma e corpo (te lembra das mentiras na festa) e sentes que é mais afeito aos lobos!

O Desejável Berço do Mel

Preciso desembrulhar meu coração em palavras.

A pouco me atingiram olhos, fatais como relâmpagos
Eram lâminas em rosto doce de felina
De menina crescida, traiçoeira, hipnótica
Aprendendo a brincar com a tolice dos homens
A tolice infinita, minha grande virtude.
A pouco me dobraram dois olhos
E como não bastasse descompassar meu fôlego
Arquearam meus braços para recebê-la
Poema afetivo de lábios fendidos
Movendo-se lenta na atmosfera vermelha
Com cabelos proibidos amarrados num cacho
Com seios miúdos de framboesa lúdica
Com mãos melódicas descansando no ventre
A trufa sutil, de pelúcia e jasmim
Delineada em nanquim. Uma flor em segredo.
A pouco me cortaram da calma, dois olhos somente
Sem pairar palavra ou iminente toque
Cometeu-se pecado. E a luxúria emudecida
Foram os desenhos de tinta na pele
Foram as coxas gêmeas, tão claras
Foram os gestos nascidos na infância
Tudo em segundos furtivos de vida, desencontrados.

Eu só posso estancar meu coração em palavras.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Kiwi Kiwi

Pele de camurça
ratinho da terra
tua carne, entanto, é verde
igual lagoa matutina
Doce, macia
botando água na boca
e estrelinhas
crocantes.